
Estar atrás das câmeras significa, muitas vezes, permanecer longe dos olhos do público. Mas são justamente as imagens captadas por esses profissionais que ajudam milhões de pessoas a compreender os acontecimentos que diariamente se transformam em notícia.

É nesse universo que Raphael Fernandes construiu sua trajetória profissional.
Atualmente cinegrafista da TV Centro América, afiliada da Globo em Mato Grosso, Fernandes vive uma das fases mais importantes de sua carreira. Em 2026, além de participar de grandes coberturas e reportagens de repercussão nacional, o profissional está entre os finalistas do Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo.

Promovida pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a premiação chega à quarta edição com abrangência nacional. Neste ano, o tema “O agro sustentável que transforma a cidade a partir do campo” destaca produções jornalísticas que abordam a cadeia produtiva da soja e do milho, a sustentabilidade e os impactos econômicos e sociais do agronegócio.
Para Fernandes, estar entre os finalistas representa mais um capítulo de uma caminhada iniciada há mais de uma década, a milhares de quilômetros de Mato Grosso.
O início da carreira no interior do Rio de Janeiro
Natural de Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro, Raphael Fernandes iniciou sua trajetória no jornalismo em 2013.
A primeira oportunidade surgiu na TV Rio Sul, afiliada da Globo no estado, onde começou como auxiliar de cinegrafista. Na rotina da emissora, acompanhando equipes, pautas e gravações, veio o aprendizado que o levou a se profissionalizar na área.
Fernandes permaneceu por seis anos na TV Rio Sul.
Mais do que dominar câmeras e equipamentos, o período serviu para desenvolver uma das principais características de um cinegrafista: a capacidade de identificar, em meio a diferentes situações, a imagem capaz de traduzir uma história.
Experiência em diferentes cidades de São Paulo
Depois de seis anos no Rio de Janeiro, um novo desafio levou Fernandes ao interior de São Paulo.
Na TV TEM, afiliada da Globo, foram outros quatro anos de trabalho, com atuação em cidades como São José do Rio Preto, Araçatuba, Marília e Bauru.
A experiência em diferentes praças ampliou sua visão sobre o jornalismo regional e colocou o profissional diante de realidades, personagens e acontecimentos distintos.
A rotina também fortaleceu uma característica que marcaria sua carreira: a proximidade com o jornalismo de rua e com as grandes coberturas factuais.
A chegada a Mato Grosso
Após consolidar uma trajetória profissional no Sudeste, Raphael Fernandes chegou a Mato Grosso, onde passou a atuar ainda mais próximo de coberturas de forte impacto.
Em Lucas do Rio Verde, trabalhou durante dois anos na TV Conquista, afiliada da Record, além de ter passagem pelo Terra MT Digital.
Nesse período, participou de coberturas de ocorrências policiais, homicídios, acidentes, grandes eventos e outros acontecimentos que movimentaram a região.
No jornalismo factual, muitas vezes não existe roteiro pronto. A notícia acontece enquanto a equipe trabalha. Cabe ao cinegrafista tomar decisões rápidas, buscar os melhores enquadramentos e construir, por meio das imagens, uma narrativa que permita ao público compreender o que aconteceu.
A experiência acumulada em Mato Grosso abriu caminho para uma nova etapa na carreira.
Atualmente, Fernandes integra a equipe da TV Centro América, afiliada da Globo em Mato Grosso, participando de reportagens e coberturas locais e também de produções destinadas a telejornais de alcance nacional, como o Jornal Hoje e o Jornal Nacional.
Tragédia na BR-163 marcou trajetória profissional

Entre as coberturas mais marcantes realizadas por Raphael Fernandes está a tragédia ocorrida em 8 de agosto de 2025, em Lucas do Rio Verde.
Naquela noite, um ônibus da Rio Novo Transportes, que fazia o trajeto entre Cuiabá e Sinop, se envolveu em uma colisão com uma carreta no km 648 da BR-163.
O acidente deixou 11 pessoas mortas e dezenas de feridos.
A ocorrência mobilizou equipes de resgate, segurança pública e atendimento às vítimas. Enquanto os profissionais trabalhavam para salvar vidas, equipes de imprensa acompanhavam a situação para levar informações à população.
Fernandes participou da cobertura.
Em um cenário marcado por destroços, equipes de emergência e uma tragédia humana de grandes proporções, o trabalho exigiu experiência, responsabilidade e sensibilidade para registrar os fatos sem ultrapassar os limites éticos de uma cobertura jornalística.
Para um cinegrafista, situações como essa representam um desafio que vai muito além da técnica. É preciso saber o que registrar, como registrar e, principalmente, quais imagens não devem ser expostas.
Do trabalho atrás das câmeras ao reconhecimento
Em 2026, Raphael Fernandes passou a viver um momento diferente em sua carreira.
Desta vez, o reconhecimento veio pelo próprio trabalho desenvolvido ao longo dos anos.
A presença entre os finalistas do Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo ocorre em um momento de consolidação de sua atuação em Mato Grosso e de ampliação de sua participação em produções jornalísticas de alcance nacional.
Desde a primeira oportunidade como auxiliar de cinegrafista, em 2013, até a atual função na TV Centro América, foram anos de trabalho em diferentes cidades, emissoras e coberturas.
Foram seis anos na TV Rio Sul, quatro anos na TV TEM, dois anos na TV Conquista, passagem pelo Terra MT Digital e, atualmente, uma nova etapa profissional na televisão afiliada à Globo em Mato Grosso.
Mais do que números, entretanto, a trajetória é formada pelas histórias que passaram diante de suas lentes.
Acidentes, operações policiais, homicídios, grandes eventos, personagens, histórias de superação e acontecimentos que ultrapassaram as fronteiras regionais fazem parte desse percurso.
De Barra do Piraí para o jornalismo nacional
A distância entre Barra do Piraí, no interior do Rio de Janeiro, e Mato Grosso pode ser medida em milhares de quilômetros. A transformação profissional de Raphael Fernandes, porém, foi construída reportagem após reportagem.
Mais de uma década depois de iniciar a carreira, ele continua exercendo uma profissão na qual nem sempre aparece diante das câmeras, mas cuja presença é fundamental para que a notícia chegue ao público.
Hoje, suas imagens ajudam a contar acontecimentos de Mato Grosso para o público regional e, em grandes coberturas, para milhões de brasileiros que acompanham o jornalismo nacional.
A condição de finalista do Prêmio Aprosoja MT de Jornalismo acrescenta mais um capítulo a essa trajetória.
Para quem fez da rua seu principal ambiente de trabalho, a essência permanece a mesma desde os primeiros anos de profissão: estar próximo dos acontecimentos, identificar a notícia antes de apertar o REC e transformar imagens em histórias que precisam ser vistas.
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