
O número de pessoas em situação de rua em Mato Grosso aumentou cerca de 19% em apenas um ano, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, divulgado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Na capital Cuiabá, o crescimento foi ainda mais expressivo e chegou a 26% no mesmo período. Os dados comparam os anos de 2023 e 2024.
De acordo com a pesquisa, até dezembro de 2023, o estado contabilizava 3.025 pessoas vivendo nas ruas, sendo 1.238 somente em Cuiabá. Em 2024, esse total saltou para 3.603 pessoas, das quais 1.561 estavam concentradas na capital.
O perfil da população em situação de rua se manteve semelhante nos dois anos. Em 2023, mais de 80% eram pessoas negras, enquanto o restante se dividia entre brancos e amarelos. A maior parte tinha entre 40 e 59 anos, e a menor faixa estava entre 18 e 39 anos. O levantamento também indicou que mais de 20% tinham até 17 anos, enquanto cerca de 10% tinham mais de 60 anos. A maioria não possuía Ensino Fundamental completo, não apresentava deficiência e mais de 90% eram homens.
Em 2024, os dados mostram um cenário praticamente repetido. Pouco mais de 80% da população em situação de rua continuava sendo negra, com predominância da faixa etária entre 40 e 59 anos. Em relação à escolaridade, quase 60% não tinham Ensino Fundamental completo ou qualquer nível de instrução formal. Assim como no ano anterior, a maioria não apresentava deficiência e mais de 90% eram do sexo masculino.
O Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua é vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG). Em âmbito nacional, o estudo aponta que, em dezembro de 2024, o Brasil registrava 327.925 pessoas vivendo nas ruas, com maior concentração na região Sudeste.
O levantamento foi elaborado com base em dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne informações de beneficiários de políticas públicas como o Bolsa Família e serve de referência para identificar populações em situação de vulnerabilidade e orientar os repasses de recursos federais aos municípios.
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