
O vereador Hélio Kaminski (PL), de Lucas do Rio Verde (MT), decidiu cruzar cerca de 1.300 quilômetros até Brasília para participar da marcha convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, marcada para o dia 25, na Praça do Cruzeiro. A mobilização tem sido apresentada por seus organizadores como uma reação direta ao que classificam como excessos do sistema político e judicial brasileiro.
Em entrevista, Kaminski afirmou que tomou conhecimento da manifestação por meio das redes sociais, que, segundo ele, ainda funcionam como um espaço de comunicação direta entre os brasileiros. Para o vereador, esse ambiente tem se tornado cada vez mais limitado, o que torna urgente a ocupação das ruas. Na sua avaliação, a marcha representa uma das últimas oportunidades de manifestação popular antes de um cenário ainda mais restritivo.
Ao explicar a decisão de sair do interior de Mato Grosso rumo à capital federal, Kaminski adotou um discurso duro contra as instituições. Ele afirmou que o país vive um momento de ameaça às liberdades individuais e que a ausência de respostas do sistema de Justiça tem gerado indignação em parte da população. Segundo o parlamentar, a presença física em Brasília é necessária para mostrar que há resistência e que ela não será silenciosa.
O vereador defendeu que a mobilização ocorra de forma pacífica e ordeira, mas deixou claro que o objetivo é demonstrar força política e social. Para ele, encher a capital federal é uma maneira de expor publicamente o descontentamento de milhões de brasileiros que se sentem desrepresentados. Kaminski afirmou ainda que a manifestação carrega um simbolismo voltado às próximas gerações, que, em sua visão, podem herdar um país com menos liberdade se não houver reação agora.
Questionado sobre os resultados práticos esperados após a marcha, Kaminski disse que a prioridade é a situação dos presos pelos atos de 8 de janeiro. Ele defendeu, no mínimo, a concessão de prisão domiciliar ou a anistia para os envolvidos. O vereador também mencionou o ex-presidente Jair Bolsonaro, alegando que seus direitos deveriam ser respeitados, levando em conta idade e condições de saúde, e criticou o que chama de tratamento desproporcional por parte do sistema.
Segundo Kaminski, a mobilização vai além de casos individuais e busca resgatar valores conservadores e princípios que, em sua avaliação, vêm sendo ignorados ao longo dos últimos anos. Para ele, a marcha liderada por Nikolas Ferreira se tornou um ponto de convergência para cidadãos que se sentem acuados politicamente, mas ainda dispostos a reagir.
Mesmo após uma longa viagem, atravessando praticamente metade do país, Kaminski afirmou estar preparado para acompanhar toda a programação. Em tom descontraído, relatou que passou a noite em deslocamento, com pouco descanso, mas garantiu que estará inteiro para participar do ato. Para ele, o esforço físico é pequeno diante do que considera uma missão histórica.
A marcha em Brasília ocorre em meio a um ambiente de forte polarização política e deve reunir caravanas de vários estados. Para aliados do movimento, o ato é visto como um termômetro da insatisfação popular.
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