
Teve início nesta quarta-feira, no Fórum de Nova Mutum, o julgamento dos irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pela morte de Raquel Cattani. O Tribunal do Júri é presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski.
Raquel Cattani, filha do deputado estadual Gilberto Cattani, era produtora rural em Nova Mutum e foi assassinada a facadas em sua residência, no dia 18 de julho de 2024, no assentamento Pontal do Marape. Segundo a denúncia, Rodrigo, ex-cunhado da vítima, teria sido o autor dos golpes, enquanto Romero, ex-marido de Raquel, é apontado como o autor intelectual do crime, em um caso que teve grande repercussão em Mato Grosso.
A sessão do Tribunal do Júri começou às 8h21, com a leitura do termo de apregoamento. O Ministério Público do Estado de Mato Grosso é representado pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes. A defesa é realizada pela Defensoria Pública do Estado, com atuação do defensor Guilherme Ribeiro Rigon em favor de Rodrigo e do defensor Mauro Cezar Duarte Filho em favor de Romero.
Às 8h26, foi realizado o sorteio dos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença, sendo dois homens e cinco mulheres.
A primeira testemunha ouvida foi o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, responsável pelas investigações. Ele relatou que, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento do caso, suspeitando inicialmente de feminicídio, equipes foram mobilizadas simultaneamente para o local do crime e para a cidade de Tapurah.
Segundo o delegado, Romero se apresentou espontaneamente às autoridades e teve seus deslocamentos analisados. Durante a apuração, imagens mostraram o veículo de Romero saindo de Tapurah em direção à região onde ocorreu o crime, além de relatos de que ele teria passado por casas noturnas antes de se apresentar à polícia.
No local do crime, a equipe identificou sinais de arrombamento, especialmente em uma janela nos fundos da residência, que indicaria o ponto de entrada do autor. Uma televisão foi encontrada fora da casa, com marcas de bota, reforçando a hipótese de invasão. Raquel foi encontrada caída entre o banheiro e o quarto do casal, com múltiplas lesões de defesa nos braços e antebraços.
Outro ponto destacado foi o fato de apenas o quarto da vítima ter sido revirado, o que levantou a suspeita de tentativa de forjar a cena. Também foram encontradas marcas de sangue no chão, indicando que o autor circulou descalço pela residência.
Durante o depoimento, o delegado afirmou que Romero não seria o autor direto do crime, após apresentar um álibi considerado consistente. A investigação, então, passou a focar em provas técnicas, digitais e periciais, além da oitiva de cerca de 155 pessoas.
Segundo o delegado, Rodrigo confessou ter ficado à espreita dentro da casa e aguardado a chegada da vítima. Ele teria arrombado uma janela, acessado os cômodos e permanecido escondido até surpreender Raquel, desferindo diversos golpes de faca. Após o crime, ele teria forjado a cena e fugido de motocicleta.
A prova técnica também foi destacada, com base em dados das Estações Rádio-Base (ERBs), que demonstraram o deslocamento de Rodrigo desde a chegada ao local até a fuga, corroborando a confissão e permitindo a reconstrução da dinâmica do crime.
O delegado ainda relatou que Romero apresentava comportamento frio e calculista durante as investigações, sem demonstrar emoção diante da morte da mãe de seus filhos, o que chamou a atenção da equipe policial.
Por fim, foi apontado um histórico de perseguição, controle e pressão psicológica atribuídos a Romero contra Raquel, com relatos de comportamento obsessivo e vigilância, confirmados por familiares e pessoas próximas à vítima.
O julgamento segue ao longo do dia, com a oitiva de testemunhas, interrogatório dos réus e debates entre acusação e defesa antes da decisão dos jurados.
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