
O assassinato de Adrián Corona Radillo, CEO do Grupo Corona, no estado de Jalisco, no México, ganhou repercussão internacional e reacendeu o debate sobre a crescente insegurança nas rodovias mexicanas. O empresário, referência no setor de bebidas alcoólicas, foi morto após ser sequestrado em uma estrada estratégica da região, em um crime que, segundo as primeiras investigações, não teria ligação direta com sua atividade empresarial.
De acordo com informações da promotoria estadual, o caso teve início no dia 27 de dezembro de 2025, quando Adrián Corona viajava com a família pela rodovia Tonaya–Puerto Vallarta, na altura do cruzamento conhecido como Volcanes. O veículo foi interceptado por criminosos armados que realizavam um bloqueio na estrada — prática associada a grupos envolvidos em roubos, extorsões e sequestros relâmpagos no oeste do país.
Durante a abordagem, o executivo foi separado da companheira e dos filhos e mantido em cativeiro. A família foi liberada e seguiu até Guadalajara, onde registrou a denúncia junto às autoridades. O corpo de Adrián Corona foi encontrado dois dias depois, em 29 de dezembro, às margens da mesma rodovia, apresentando sinais de violência física e ferimentos causados por arma de fogo.
As investigações iniciais indicam que o ataque teria sido aleatório, sem indícios concretos de extorsão direcionada ao Grupo Corona ou de motivação relacionada à posição econômica da vítima. Fontes citadas pela imprensa mexicana apontam que a hipótese principal é de uma abordagem criminosa em um trecho controlado informalmente por quadrilhas, onde interceptações de veículos se tornaram recorrentes.
O crime causou forte impacto no setor produtivo de Jalisco, região tradicional na produção de tequila, mezcal e licores. Entidades empresariais destacaram que o caso evidencia a vulnerabilidade de executivos, trabalhadores e famílias que dependem das rodovias para deslocamentos pessoais, transporte de mercadorias e atividades econômicas.
Adrián Corona Radillo presidia o Grupo Corona, empresa fundada em 1954 por dom Armando Corona. Com sede em Jalisco, o grupo começou com a produção artesanal de mezcal e, ao longo das décadas, expandiu suas operações para vinhos, tequilas e licores reconhecidos internacionalmente, como o Tequila Reserva Don Armando e o licor Rancho Escondido. A empresa mantém parcerias com mais de 110 produtores de agave e tem papel relevante na geração de empregos e no fortalecimento da economia regional.
O assassinato do executivo ocorre em um contexto mais amplo de preocupação com a segurança nas estradas mexicanas, especialmente em estados com atuação de grupos armados. A região de Jalisco é estratégica para o turismo e a logística, ligando cidades do interior a destinos como Puerto Vallarta. Diante do aumento de relatos de bloqueios e ataques, crescem as cobranças por políticas públicas que reforcem a proteção das rodovias, combatam o crime organizado e garantam maior segurança para motoristas e viajantes.
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