
A escalada do conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio começou a gerar reflexos práticos e severos no interior de Mato Grosso. Nesta quinta-feira (12), as prefeituras de Nova Xavantina e Água Boa anunciaram medidas drásticas de contenção de gastos e paralisação parcial de suas frotas de veículos devido à escassez de combustível e à incerteza sobre o abastecimento nos próximos dias.
Em Nova Xavantina, a administração municipal suspendeu a circulação de quase todos os veículos da frota pública. Segundo nota oficial, apenas ambulâncias e o transporte escolar seguem operando normalmente. Demais secretarias e serviços administrativos deverão utilizar veículos apenas em "casos de extrema urgência".
Cenário semelhante ocorre em Água Boa, onde o prefeito José Ari Zandoná (MDB) confirmou que a cidade enfrenta dificuldades após uma "corrida ao combustível" provocada pelo medo de desabastecimento. Filas quilométricas foram registradas em postos locais. A prefeitura decidiu priorizar apenas serviços essenciais para preservar os estoques estratégicos do município.
O Fator Geopolítico: O "Gargalo" de Ormuz
O desequilíbrio no mercado local é um reflexo direto da crise internacional:
Bloqueio Estratégico: O Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% a 30% da produção mundial de petróleo.
Alta do Barril: Em apenas 15 dias, o barril do tipo Brent saltou de US$ 70 para quase US$ 120, pressionando os preços internos no Brasil.
Alerta no Agronégócio: O setor produtivo de Mato Grosso, em plena fase de colheita e transporte de grãos, já relata aumentos de até R$ 2,00 por litro de diesel em algumas regiões, além da dificuldade de fechar novos carregamentos.
Resposta do Governo e da ANP
Embora a Petrobras informe que o fornecimento em suas refinarias segue o cronograma planejado, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) já foi notificada sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais e municípios. Para tentar mitigar o impacto, o governo federal anunciou nesta semana a desoneração total de impostos federais sobre o diesel e medidas de subvenção, mas a eficácia dessas ações no interior depende da normalização da cadeia de distribuição e do cessar-fogo nas rotas marítimas internacionais.
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